sábado, 6 de fevereiro de 2010

Faroeste Moderno.

Normalmente, quando eu coloco o nariz pra fora deste portão azul, minha espectativa de vida diminui em dez porcento. Essa madrugada, quando paguei o taxi e a coloquei pra dentro de casa, assinei minha sentenca de morte. O cara dela vai me perseguir e eu sei que não será um duelo. Na tocaia, vai querer tirar vingança por eu lhe ter roubado aquilo que nunca foi dele. 

Ensaiei mentalmente milhares de vezes a frase que diria quando ela me ligasse dando um basta na situação:
- Pegue um taxi e venha pra cá agora.


Assumo que sou cavalheiro e só penso no seu bem. Só trouxe consigo uma boina bonina e o hálito de Red Label. Cicatrizes que procurei, roxos que encontrei, olheiras e cabelos tingidos. Fiz um toddy e lhe contei uma história sobre as primeiras embalagens que vinham com bula. Ela não me contou nenhuma novidade. Só tinha um discurso todo desconexo. Notei que mexe os ombros freneticamente enquanto fala o que lhe dá um charme particular de novela de época.

Antes de fazer sua cama, dei-lhe um beijo que ela não esperava que fosse naqueles termos paternais. Fiquei na varanda esperando o sol e os passarinhos, rodando o tambor do Taurus 32 que foi do meu avô.

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