quinta-feira, 4 de março de 2010

Abro os olhos

Sei que a enfermeira é feia só de ouvir seus passos arrastados pelo corredor. A voz de bulldog confirma meu pesadelo. Ela me maltrata e todo procedimento com ela é dolorido. Tenho certeza que está sorrindo. Aposto que é solteirona e mora em hospitais, pulando de um emprego a outro. Tenho medo de revelar no rosto meu desagrado pela sua pessoa.
Amanhã vou tirar os curativos.
Nesses dois dias aprendi a sentir o sol queimando a pele, aprendi a distinguir os passarinhos que cantam mais pela manhã dos outros que aparecem ao meio-dia. Descobri que determinada combinação de janelas abertas, mais a porta, gera uma corrente que resfreca de dia e gela de noite. Desenvolvi um gosto por sopas e aprendi a nunca cheirar nada desse lugar que eu pretenda comer depois.
Removem a gaze com carinho e os tampões com cuidado.
Pedi que a primeira coisa em que queria botar os olhos depois da cirurgia era a minha mãe, luz dos meus dias. Atenderam.
- Um dia eu fiquei cego mas guardei o amor em fótons no coração. Vem cá e me ajuda a olhar o mundo de novo mãe.

1 comentários:

  1. MAIS LOGO, um novo capítulo da história de Alice.
    lá no,
    ... continuando assim...

    Aceito , e agradeço as vossas sugestões ... talvez a letra esteja pequena... talvez o blogue possa estar confuso.... talvez ... e talvez :)
    talvez nem gostem da história...

    Enfim...qualquer coisa, digam.
    até logo

    obrigada por seguirem
    Bj
    teresa

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