sábado, 24 de abril de 2010

A arca da ruína

Vivo. Desconfiado, cada folhinha, cada capim ameaça. Rezo para que o chão não tenha pedras daquelas que fazem a picareta tinir alto a ponto de acordar os defuntos cercanos. Rapo a terra por cima em gestos despachados, molhando com o suor da testa até as gotas serem chupadas.

Vivo teso. Ar de cortar com machado. Vai daqui um pensamento de que, se eu enterrar essa coisa, evito o pior.

E foi um buraco fundo. E coube a mala inteira de Eucatex. E ficou bem no seio do planeta. Que fique!

Dei as costas ao serviço concluído e ia saindo do capão e da fatalidade para todo sempre quando...

A gente imagina que foge, mas do destino, só a morte.

....A cabeça se riu lá das entranhas do mundo. Riu é gritou alto até ser ouvida pelos últimos urubus do céu.

Qual é o pecado de que querer esconder o mal feito?

Foi na covardia que esse um me tocaiou e deus permitiu que eu fosse vencedor. Já defunto, senti que devia separar o corpo do matador da sua cabeça arquiteta de ruindades.

Rodeei uns passos indeciso com o que fazer. Desisti.

Não desistiu da sua tenção de me maltratar o jagunço Hermínio Pires mesmo depois de não ser mais nada.

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