domingo, 15 de agosto de 2010

Coartado.

Mas eu não posso mencionar o seu nome.
Estou impedido de dizê-lo por razões que eu mesmo desconheço. Só sei que te amo, delicado tormento. Do momento que te desenterrei das vísceras do acidente de trânsito, senti que a sua vida e a minha colidiriam eternamente.
Eu passo e desvio o olhar. Eu penso e penso em outra coisa. Eu sonho e, no dia seguinte, não conto a ninguém. Meu coração dispara e eu tenho que dizer que é por outro motivo. Abro a boca e não digo nada. Emerge de mim uma torrente de vontades que eu preciso calar, domar a mim mesmo e selar até a menor menção do meu muito amor.
Eu vivo nesse armário no teu closet, enscondido em gavetas. Eu grito pra dentro. Eu me martirizo e me penitencio todos os dias por não poder me calar e ao mesmo tempo ter que não me exprimir.
Seja de fato ou de imaginação, é muito pavoroso ser condenado ao amor impedido.
Mas eu que não posso dizer o seu nome, vivo com esta mordaça brança que berra mais que minha própia garganta, ainda hei de fazer nós dois um só.

1 comentários:

  1. Baby, baby(...)*meu caminho que estava escondido de mim agora está diante de meus pés: sou a visão do inferno depois que o fogo apagou, e desde tua ida, sinto que sou eu que parto.Traga de volta tudo de uma vez. Baby, baby.

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