sábado, 6 de novembro de 2010

Sarapatel de Moça

Não sei comer sem pimenta, farinha e um verde por cima.
Ouvi dizer que moça tem gosto de peixe. Mentira. Moça tem carne vermelha e tenra mesmo que more na praia.
Nem sempre se pode ter essas carnes mais nobres, de modo que às vezes se pode lançar mão daquilo que resta de uma bela moça após toda a dessossa sem desdouro algum nem para o prato nem para os convidados. Vamos nos contentar e nos refastelar com as vísceras, verdadeira delicadezas para o paladar de alguns.
Todo o trabalho está em picar rins, estômago, peitinhos, fígado, tripas, bofes e toucinhos em tiras de um dedo ou menos conforme a pressa do leitor.
Quanto mais nova a moça, mais íntregos e preservados seus miudos, sem o deterioro comum da alimentação e da bebida. Hoje, tanto as moças do campo quanto as dos grandes centros estão expostas aos mesmos tipos de venenos e vida desregrada, portanto não se deve fazer a ofensa de recusar quaisquer das duas.
Em panela alta refoge tudo na própria gordura, tomates, cebola, alho e louro. A tendência é que não se tempere demais para não esconder o sabor da moça.
Meia hora basta para que tudo cozinhe e forme perfumado caldo que deve ser colhido e escaldado sobre boa farinha de mandioca para consumar um verdadeiro pirão de moça.
Serve cinco pessoas com folga fazendo festa ao gosto geral mesmo àqueles que não pareciam peixe.

1 comentários:

  1. Para quem não é nordestino, gosta bastante de farinha, né? hahahahaha xero

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