segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Frango na salmoura.

A última trovoada apagou tudo ao redor. Ouvi barulho de transformador explodindo. Aquilo era a trilha sonora das carícias mais íntimas que iam se desenvolvendo há algumas horas. A tempestade era em todo lugar da cidade. Em algum canto, alguém bebia muito, teclava a esmo os oito dígitos da amada, dirigia sem rumo. Conseguiu reunir forças para deixar um recado na secretária. Abriu as torneiras da dor de ser preterido e foi esse dilúvio que apareceu na caixa de mensagens dela. Era tão alto e tão sofrido, que mesmo ela tendo ido para a sala, do quarto dava para ouvir tudo.
Não sei há quanto tempo eles estavam juntos. Ouvi ela resmungando que ele devia estar dirigindo sem óculos, mas que não queria nem saber. Antes de voltar ao ofício interrompido, resmungou:
- É um frango mesmo.

0 comentários:

Postar um comentário